Tradição difundida no território brasileiro, especialmente nas regiões Nordeste e Sudeste, o tema pastoril trata do nascimento do Menino Jesus e da visita dos Reis Magos à manjedoura. Em Minas Gerais, a manifestação ocorre em vários municípios, podendo variar em alguns detalhes.

Desde sua fundação até o início do século XXI, o grupo vê sendo composto por diversas gerações de moradores da Tapera. Segundo os moradores da localidade, tanto os executores quanto os espectadores desfrutavam do acontecimento que era a apresentação das Pastorinhas da Tapera, apesar da tradição ser realizada em torno de um tema religioso. Além dos voluntários que integravam o grupo, músicos da Banda local também integram a tradição, executando as melodias que acompanhavam os versos cantados.

A referência temporal do grupo é um roteiro teatral denominado “Pastorinhas da Tapera”, cuja datação remonta ao ano de 1930 indicando que o grupo te no mínimo cerca de 90 anos de existência, mas os moradores da localidade acreditam que a tradição ultrapasse um século. Ao longo do século XX a tradição era recriada anualmente, no período compreendido entre a Véspera de Natal e o dia seis de janeiro. Assim, as Pastorinhas iniciavam suas apresentações na meia-noite do dia vinte e cinco de dezembro, na missa em comemoração ao nascimento do Menino Jesus e, ao longo dos outros dias, percorriam os chamados “retiros”. Nesses locais mais afastados, eram recebidas pelos fazendeiros e angariavam esmolas para a manutenção da igreja. Além dessas atividades, as Pastorinhas também cantavam nas ruas da Tapera, também com o objetivo de recolher doações. Entendida como uma tradição local e natalina, não havia o costume e nem recursos para apresentações em locais mais distantes.

Nominalmente, o surgimento da forma de expressão na localidade é atribuído à senhora Maria de Rita, responsável por difundir as cantigas e os papéis de cada personagem. Contudo, alguns relatos dão conta de que, antes de Maria de Rita, a tradição já havia sido iniciada pela senhora Amélia de Rodrigues, também moradora da Tapera. Além delas, duas outras mulheres são citadas de modo recorrente quando o assunto são as Pastorinhas da Tapera: a senhora Aracy e a senhora Lenice. Dona Aracy, de acordo com informações colhidas nas entrevistas, começou a acompanhar o grupo na década de 1960, auxiliando a senhora Maria de Rita na organização. Assim, além de estar presente nos ensaios e nas apresentações, também ajudava a compor os versos, preparar as vestimentas, convidar pessoas para integrar o grupo, dentre outras atividades. Após o falecimento da senhora Maria de Rita, Dona Aracy naturalmente assumiu a liderança do grupo, tornando-se a responsável tanto pelos preparativos quando pela execução da tradição.

O grupo tradicional envolve elementos que perpassam tanto a cultura popular como as artes, como é o caso do teatro e da música coral. Dentro do grande grupo denominado “Pastorinhas da Tapera” existem divisões muito específicas que dialogam com o andamento da encenação e marcadas pela variabilidade das  indumentárias e dos adereços. Os integrantes são subdivididos entre “músicos”, “coristas” (cordão azul e cordão vermelho) e “personagens”( Anjo, Caboclo, Soldado, Rei Herodes, Primeiro, Segundo e Terceiro Marinheiros, Três Reis Magos e Velho). Cada elemento do grupo possui um papel e fala específicos e em regra cada personagem aparece uma única vez: no momento em que realiza seu solo. O solo consiste em o personagem, no momento previsto pelo enredo, dirigir-se, dançando, ao lugar central da encenação, entre os cordões, e, sempre dançando, cantar sua fala.

No caso específico das Pastorinhas da Tapera, os coristas utilizam sempre roupas brancas. Para as mulheres, a preferência é sempre por vestidos ou saias, por sobre os quais são usados aventais que sinalizam a cor do cordão que integram. Para os homens, calças e camisas brancas, com lenços amarrados ao pescoço nas respectivas cores dos cordões. Além da roupa, as mulheres também portam chapéu, geralmente de palha, onde são amarradas fitas nas cores vermelha ou azul, a depender de qual cordão participam. Assim, utilizam as indumentárias descritas os seguintes integrantes: Açucena, AmorPerfeito, Rosa Branca, Beijo, Violeta, Lírio, Jasmim, Jardineira, Mestra, Contramestra e Professora – integrantes do Cordão Azul; e Mestra, Contramestra, Professora, Pobrezinha, Primeiro Pastor, Segundo Pastor, Crisântemo, Rosa Vermelha, Saudade Roxa, Sempre-Viva – integrantes do Cordão Vermelho. Com relação aos músicos, não há uma obrigatoriedade de vestimenta específica. O mais importante, neste caso, é que haja dois violões que possam realizar o acompanhamento durante toda a apresentação. Para os Personagens, a questão da indumentária e dos adereços é bem específica, posto que cada um deve ser caracterizado de uma forma.

As Pastorinhas da Tapera está abrigada (sediada) e recebe suporte continuado do Ponto de Cultura Centro Cultural Tapera Real, cuja entidade gestora é a Corporação Musical Retreta Lyra de Santo Antônio. Esta entidade oferece suporte permanente para o grupo no tocante ao espaço para ensaios (auditório, estúdio com capacidade de produção e edição áudio visual,  salas e cozinha), oficinas elaboração de projetos e capacitação de recursos, além de metodologias para o repasse das tradições. Todo este suporte foi fundamental para o resgate do grupo em 2007, quando o mesmo se apresentava em ruínas beirando a extinção.

 

 

Primeira apresentação das Pastorinhas após Resgate em 2007 – Foto Giordanni Ottoni

O desinteresse da população taperense e em especial a dos jovens é apresentado como a principal  dificuldade para manter a tradição, sendo atribuída às mudanças ocorridas nas últimas décadas, com o desenvolvimento e acesso às tecnologias, redes sociais, entre outros. Na tentativa de superara estes problemas o fomento ao grupo vem sendo articulado de forma sinérgica com outras áreas de atuação do Centro Cultural principalmente a cultura digital envolvendo tanto os aspectos ligados ao registro, documentação, em como disseminação dos conteúdos em redes e mídias sociais,tendo como resultado a ampliação do alcance da tradição e de sua dfusão pelas linguagens digitais. Nesta direção, além da tradicional forma de tradição oral a partir das Mestras mais velhas em pedagogias de roda,  recursos tecnológicos abundantes no Ponto de Cultura/ Centro Cultural que possui um Estúdio – Pólo de Mídia Jovem vem sendo incorporado nas metodologias e estratégias de repasse da tradição, o que tem contribuído para reverter a situação e melhorar a adesão das crianças adolescentes e jovens à manifestação.

A manifestação Pastorinhas da Tapera  foi alvo de pesquisas acadêmicas relacionadas à sua tradição e recriação, tendo sido apresentada como uma forma de expressão singular em encontros e publicações nacionais e internacionais. As principais fontes disponíveis que inclusive contribuíram para elaboração desta apresentação são:

– Decreto de Registro da Pastorinha da Tapera como Patrimônio Imaterial de Conceição do ato Dentro

RELATÓRIO DO PROCESSO DE REGISTRO DOSSIÊ DE REGISTRO DAS PASTORINHAS DA TAPERA

JÁCOME, Graziela Armelao. Pastorinhas da Tapera: tradição e espetáculo da tradição em Conceição do Mato Dentro/MG. [Dissertação de mestrado] PUC Minas: 2013, 120 p.

https://www.academia.edu/10353206/Pastorinhas_da_Tapera_tradi%C3%A7%C3%A3o_e_espet%C3%A1culo_da_tradi%C3%A7%C3%A3o_em_Concei%C3%A7%C3%A3o_do_Mato_Dentro_MG

MATERIAL DIGITAL ACESSÍVEL VIA WEB

Links para acesso à alguns materiais audiovisuais  ou produções acadêmicas sobre o grupo:

Vídeos Youtube:

2012 – Apresentação na Igreja Santo Antônio – Distrito da Tapera, Conceição do Mato Dentro

2013 – Gravação do CD Pastorinhas da Tapera, realizado na Igreja Santo Antonio, Distrito da Tapera, Conceição do Mato Dentro

https://www.youtube.com/watch?v=i3QA0_gsk6U

https://www.youtube.com/watch?v=rqAnywQ_jQk

2018 – Apresentação no III Encontro dos Povos do Espinhaço – Igreja Nossa Senhora do Rosário – Distrito de São Gonçalo/ Serro MG 2018

https://www.youtube.com/watch?v=lQuVatIycaU

Produção acadêmicas relacionadas ao grupo

http://seer.pucgoias.edu.br/index.php/habitus/article/view/5224

Poster: Patrimônio Intangível (música) como factor chave no desenvolvimento sociocultural de pequenas comunidades: Pastorinhas da Tapera (Brasil) e Cantares da Serra (Mação/Portugal http://www.encontrociencia.pt/files/poster%20jacome%20_cura.pdf

– Material institucional

Site oficial: http://www.taperareal.org.br/pastorinhas/

Projeto selecionado Edital Funarte http://www.funarte.gov.br/wp-content/uploads/2011/11/Relacao-de-selecionados_MINAS-GERAIS_Edital-Mais-Cultura-Microprojetos-Rio-Sao-Francisco1.pdf

Apresentações em eventos culturais

Éden Clube http://www.controletransparente.com.br/site/?q=conte%C3%BAdo-relacionado-ao-projeto-pastorinhas-da-tapera

1º. Festival de Inverno de CMD

https://festivaldeinvernocmd.com.br/wp-content/uploads/2019/06/Programacao-Festival-de-Inverno-CMD-2.pdf

Adro da Igreja de Santana:

http://cmd.mg.gov.br/calendario-de-eventos/as-pastorinhas-da-tapera