Ambientes e Paisagens Culturais

O distrito de Santo Antônio do Norte, atualmente, conhecido como distrito de Tapera, está localizado a 36 km de seu Município, Conceição do Mato Dentro.  A cidade é conhecida por diversos bens naturais  provinda de suas serra milenares e cachoeiras e vegetação de transição de mata atlântica e cerrado.

Segundo Saint-Hillare (1813) a Tapera praticamente não sofreu modificações ao longo dos anos, permanecendo assim com uma paisagem intacta e com um acervo histórico cultural tradicional. O distrito da Tapera fica situado em um grande vale, limitado por colinas, recobertas por mata virgem e gramínea. Ao redor da aldeia o vale não oferece senão, traços do trabalho dos mineradores. Uma só rua à extremidade da qual fica a Igreja, constitui a aldeia. As casas que a compõe são em números de 70, quase todas cobertas de telhas e muito bonitas, mas várias dentre elas estão abandonadas e em mau estado

O Lugar:

Tapera: da origem linguística a traços gerais Tapera é ecotopônimo9 , de fonte indígena; é nome tupi, cujo significado JOSÉ GREGÓRIO JOSÉ CERQUEIRA CAPELLE traduz da seguinte maneira: “De tape, tapuera (taba + puera) = o que foi aldeia, ruína; casa, engenho, fazenda, núcleos de povoamento abandonados ou em via de desmoronamento.”.10 9 O termo ecotopônimo designa nomes relativos a habitações, em geral. 10 CAPELLE, Irmão José Gregório José Cerqueira. Contribuição indígena ao Brasil. Belo Horizonte: União Brasileira de Educação e Ensino, 1980, p. 1136. 14 Quanto à sua unidade territorial-administrativa, MÁRCIA MARIA DUARTE DOS SANTOS e MARIA CÂNDIDA TRINDADE COSTA DE SEABRA contam que: Em 1858, a lei nº 902, de 8 de Junho, elevou o arraial de Tapera a Paróquia, passando a se chamar Santo Antônio da Tapera. Com a criação do distrito em 1938, a denominação Santo Antônio da Tapera foi parcialmente alterada para Santo Antônio do Norte (distrito de Conceição do Mato Dentro, situado na microrregião homônima, na mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte.11 Das lições de SANTOS e SEABRA abstrai-se que Tapera vem vindo desde a Colônia; que Santo Antônio da Tapera foi consagração conferida-lhe pelo Império; e que Santo Antônio do Norte foi título dado-lhe pela República. A Tapera colonial foi um arraial, um lugarejo de caráter provisório, temporário; um povoado transitório, efêmero, instável, inconstante, muito provavelmente de trabalhadores (especialmente aqueles dedicados a atividades extrativas, ao garimpo, por exemplo, de minerais preciosos, como ouro e diamante) e, talvez, dada a religiosidade que a Tapera ostenta até hoje, de romeiros – em suma, uma pequena aldeia, com comércio de comestíveis, jogos, diversões etc. Nesse tempo, a Tapera foi um curato, circunscrição eclesiástica da Igreja Católica, regida por um cura, um padre. O Império dividiu províncias em municípios e estes, em freguesias. D. Pedro II preferiu não distinguir estrutura administrativa de estrutura eclesiástica; assim, 11 SANTOS, Márcia Maria Duarte dos; SEABRA, Maria Cândida Trindade Costa de. Motivação toponímica da Comarca do Serro Frio: estudo dos registros setecentistas e oitocentistas em mapas da Capitania de Minas Gerais. In: Anais do III Simpósio de cartografia histórica. Ouro Preto: 2009, p. 11. O Município de Conceição do Mato Dentro situa-se na microrregião homônima, na mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte. 15 freguesia correspondeu a paróquia. No caso da Tapera, a Igreja Católica já havia lhe consagrado a Santo Antônio, daí Santo Antônio da Tapera, eclesiasticamente subordinada a um pároco; a lei nº 902/1858 elevou o arraial de Tapera a freguesia – a freguesia de Santo Antônio da Tapera, a Tapera imperial.12 Em 1938, a Tapera tornou-se distrito (subdivisão, pois, de município), dispondo, obrigatoriamente, de cartório de ofício de registro civil. Enquanto distrito, a Tapera passou a se chamar Santo Antônio do Norte – a Tapera republicana, distrito do Município de Conceição do Mato Dentro.13 No entanto, os apelidos adquiridos ao longo de sua história não anularam o hábito da população de designar o lugar pelo nome original: Tapera. Na alma do povo, a Tapera continuou Tapera, simplesmente Tapera. A Tapera situa-se em um grande vale, limitado por colinas recobertas por mata e gramínea, cortado pelo Rio Paraúna, a 36 km ao norte da sede do Município de Conceição do Mato Dentro. A região ainda guarda vestígios do trabalho de mineradores do Primeiro Ciclo do Ouro, no século XVIII, época em que o arraial estava no trajeto de uma das rotas que ligavam Vila Rica a Tejuco. Conforme ensinamento de SANTOS e SEABRA, a Capital estava unida à região diamantina por dois caminhos conhecidos como o do Campo e o do Mato: 12 No Império, curato preservou o significado que adquirira na Colônia: serviços religiosos em povoações pequenas e sem autonomia política. Vale acrescentar: o bispo comandava a diocese, abrangendo, em regra, diversos paróquias, ou seja, diversas freguesias. 13 V. MORAIS, Geraldo Dutra. História de Conceição do Mato Dentro. Belo Horizonte: Biblioteca Mineira de Cultura, 1942, obra em que, à p. 200, GERALDO DUTRA MORAIS estabelece quão longínquos são os vínculos entre Tapera e Conceição do Mato Dentro: “Desde o ano de 1709, Conceição do Mato Dentro já gozava dos foros de Freguesia, apesar de não possuir o título de colatícia e não ser de criação régia. Desde aquela época remota as Capelas de Nossa Senhora da Aparecida dos Córregos, Santo Antônio da Tapera, Santana das Congonhas, Santana dos Frechados, Nossa Senhora do Pilar do Morro de Gaspar Soares e Santo Antônio do Rio Abaixo, já estavam sujeitas à jurisdição do vigário da Freguesia do Mato Dentro.”. 16 Percorrendo, respectivamente, as bandas oeste e leste da serra do Espinhaço, aqueles caminhos encontravam-se na região das cabeceiras do rio Paraúna e após o registro da Bandeirinha, seguiam juntos em direção ao Tejuco.14 O Caminho do Campo estendia-se ao longo da região drenada pelo Rio das Velhas e afluentes. O trajeto era o seguinte, segundo apontamentos de SANTOS e SEABRA: “A partir de Vila Rica, alcança a vila de Sabará e após passar Macaúbas, segue em direção nordeste, alcançando a região do Tejuco, já atravessando a serra do Espinhaço.”15 A rota do Caminho do Mato também está registrada por SANTOS e SEABRA: Tomando Vila Rica (Ouro Preto, sede municipal), como ponto de partida, pode ser identificada uma via que, cortando a Comarca de Sabará, passa pelos arraiais freguesias de Santa Bárbara (Santa Bárbara, sede municipal) e Cocais (distrito de Barão de Cocais), e pelo arraial Itambé (Itambé do Mato Dentro, sede municipal). Em seguida, passa no arraial Gaspar Soares (Morro do Pilar, sede municipal), depois pelo arraial freguesia Conceição (Conceição do Mato Dentro, sede municipal), e pelos arraiais Córregos (Córregos, distrito de Conceição do Mato Dentro) e Tapera (Santo Antônio do Norte, distrito de Conceição do Mato Dentro), para se juntar, próximo às nascentes do Rio Paraúna, ao traçado do Caminho do Campo. A partir desse ponto os traçados se unem e após o registro da Bandeirinha alcançam o arraial do 14 SANTOS; SEABRA, Motivação toponímica da Comarca do Serro Frio, cit., p. 22. 15 Ibid., p. 22. 17 Tejuco (Diamantina, sede municipal) [na Comarca do Serro Frio].16 A Tapera possui cerca de meia dúzia de ruas; duas delas possuem calçamento. A principal via assume, ao longo de cerca de cinco quilômetros de extensão, três nomes: é Rua do Carmo, na entrada do distrito, para quem chega da sede do Município de Conceição do Mato Dentro; em frente à Igreja de Santo Antônio do Norte, passa a chamar-se Rua Joaquim Ávila, mantendo a denominação até a „Escola‟; daí até o final, na Capela da Santana, chama-se Rua Santana. A população distribui-se em, exatamente, duzentas e dez casas, quase todas cobertas por telhados compostos por telha-cuia de estilo colonial, implantadas, em sua maioria, ao longo da rua principal. Vivendo nessas poucas casas, a população da Tapera gira em torno de mil e cem habitantes.

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